Uma pesquisa realizada pelo Instituto Travessia revelou que a maioria da população brasileira se posiciona contra a manutenção da isenção de impostos para templos religiosos. De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados discordam do benefício tributário, enquanto 31% se manifestaram a favor. Outros 15% não souberam ou não responderam à questão. O debate, que possui reflexos diretos na política de Pernambuco, estado com forte presença de frentes parlamentares evangélicas e católicas, ganha relevância em meio às discussões sobre a reforma tributária nacional.
Os dados detalhados mostram uma divisão clara conforme a orientação religiosa dos entrevistados. Entre os católicos, grupo majoritário em Pernambuco, a rejeição à isenção alcança 62%. Já entre as pessoas sem religião, o índice de oposição sobe para 82%. Por outro lado, o segmento evangélico apresenta uma maior divisão de opiniões: 44% defendem a isenção, enquanto 38% posicionam-se contra a manutenção do privilégio fiscal.
Crítica à ostentação e exigência de contrapartida
Além da questão tributária, o levantamento mediu a percepção pública sobre o comportamento dos líderes religiosos. Para 63% dos brasileiros, os pastores e lideranças “ostentam excessivamente sua riqueza”, indicando um desgaste na imagem pública de vertentes que vinculam a fé à prosperidade financeira. Esse dado é complementado pela visão de que as igrejas deveriam justificar seus benefícios: 76% dos entrevistados acreditam que as instituições religiosas deveriam ser obrigadas a prestar serviços sociais à comunidade como contrapartida para manter as isenções.
Em Pernambuco, onde o assistencialismo religioso supre lacunas históricas do Estado em comunidades periféricas e no Agreste, o dado sobre a prestação de serviços ganha contornos locais. Políticos pernambucanos utilizam frequentemente as entregas sociais de igrejas como justificativa para emendas e benefícios. No entanto, a pesquisa indica que a percepção de enriquecimento pessoal de líderes específicos pode estar sobrepondo-se ao reconhecimento das ações sociais das instituições.
Contexto político e fiscal
A discussão sobre a taxação de igrejas é sensível e costuma enfrentar forte resistência no Congresso Nacional e nas casas legislativas estaduais, como a Alepe. Atualmente, a Constituição Federal garante a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados às finalidades essenciais dos templos. Contudo, o levantamento sinaliza que há um distanciamento entre a proteção legal vigente e o desejo de uma parcela significativa da sociedade, que clama por maior equilíbrio na carga tributária nacional e transparência no uso dos recursos religiosos.