O 3º Relatório RIPSA (Livro Verde 2026) mostra a dura realidade: o Nordeste, especialmente a zona rural, continua sendo o epicentro das desigualdades em saúde no Brasil. Não é “atraso natural”. É o resultado de décadas de concentração de riqueza no Sudeste/Sul, do abandono do campo, da seca e da ausência do Estado.
Os dados apresentados pelo relatório são contundentes e revelam um cenário persistente de desigualdade:
Educação: a taxa de analfabetismo chega a 14,6% na zona rural, contra 4,1% na urbana. Além disso, 74% da população rural acima de 25 anos não possui educação básica completa.
Trabalho: 60,2% dos trabalhadores rurais ocupados não contribuem para a previdência, índice que representa quase o dobro da taxa registrada nas áreas urbanas.
Insegurança alimentar: os níveis estão bem acima da média nacional, com picos ainda mais elevados no interior nordestino.
Saneamento: apenas cerca de 44% da população rural conta com coleta de lixo adequada. A precariedade no acesso à água tratada e ao esgoto contribui diretamente para a disseminação de doenças diarreicas e infecções.
Mortalidade: a mortalidade infantil no Nordeste é de 14,0 por mil nascidos vivos, acima da média nacional de 12,8. A mortalidade materna também é mais elevada na região.
Informação: a cobertura dos sistemas de informação é ainda mais baixa no Nordeste, dificultando diagnósticos precisos e a formulação de políticas públicas eficazes.
Esses números revelam a luta de classes no território: de um lado, o agronegócio exportador; do outro, camponeses, quilombolas e trabalhadores rurais que produzem comida, mas vivem sem direitos básicos.
Um governo Lula 4 não pode partir do pressuposto de que “já melhorou”. O Bolsa Família, o SUS e as políticas sociais dos governos anteriores contribuíram para a redução da miséria, mas as desigualdades estruturais permanecem.
Focar mais no Nordeste rural significa: mais investimento em saneamento básico; Fortalecimento da Atenção Primária no interior; Reforma agrária e apoio real à agricultura familiar; Expansão de escola e universidade no campo e um SUS forte, capaz de garantir que ninguém morra por falta de acesso.
Não se trata de assistencialismo. É soberania nacional. É colocar o povo em primeiro lugar.
O sertão e o agreste ainda esperam o SUS, a escola, a água e a terra prometidos. Lula 4 tem a chance histórica de transformar esse diagnóstico em ação concreta. O povo nordestino não pede favor. Exige justiça social.