As investigações sobre as joias da marca Chopard presenteadas pela Arábia Saudita ao ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021 seguem em ritmo lento em todas as frentes: criminal, administrativa e fiscal. O conjunto, avaliado pela Polícia Federal em mais de R$ 6,8 milhões, entrou no país sem declaração e foi entregue a Bolsonaro, que tentou vendê-lo no exterior. O caso também envolve outro kit apreendido pela Receita com um assessor do então ministro Bento Albuquerque.
Na esfera penal, o inquérito no STF, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, está parado desde que Bolsonaro foi indiciado pela PF em julho de 2024. Agora, a decisão cabe ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pode denunciar o ex-presidente, pedir novas diligências ou requerer arquivamento. A PF já afirmou haver indícios de “associação criminosa” e “lavagem de dinheiro”.
Já o processo fiscal corre risco de prescrição ainda em 2026. O crime de descaminho prescreve em cinco anos, e a infração ocorreu em 2021. Em dezembro, o delegado da Receita Emanuel Boschetti enviou ofício ao TCU alertando para o “perecimento do direito de punir do Estado” caso informações essenciais não sejam compartilhadas a tempo.
SEM DATA – No TCU, o processo administrativo que discute se as joias são patrimônio público ou itens pessoais não tem data para julgamento, sob relatoria do ministro Augusto Nardes. Em 2024, o tribunal decidiu que um relógio recebido pelo presidente Lula não precisava ser devolvido, o que deu esperança à defesa de Bolsonaro – mas o caso específico das joias segue pendente.
Enquanto isso, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por liderar organização criminosa que buscava um golpe de Estado, e aguarda na Papudinha os desdobramentos das múltiplas investigações que ainda o cercam.