O “mercado” político brasileiro não dorme, e Gilberto Kassab (dono do PSD, ops! presidente do PSD) acaba de colocar mais um produto na prateleira: Ronaldo Caiado. O governador de Goiás desembarca na sigla mirando o Planalto, tentando ser o “direitista com compostura” que não carrega o piano da extrema-direita de Flávio Bolsonaro.
A jogada é clássica de Kassab: ele coleciona presidenciáveis como quem junta figurinhas raras. Além de Caiado, o “balcão” oferece Ratinho Júnior (PR) e, ainda, Eduardo Leite (RS). Kassab joga com todas as cartas: se Tarcísio de Freitas preferir a segurança de São Paulo, ele tem três outros nomes prontos para o embate.
Enquanto flerta abertamente com a oposição para 2026, o PSD segue aboletado em três ministérios estratégicos no governo Lula: Agricultura (Carlos Fávaro), Minas e Energia (Alexandre Silveira) e Pesca (André de Paula). É o melhor dos mundos: ocupam a máquina, mas não entregam fidelidade. Chegou a hora de Lula fazer uma varredura. Manter quem já está com o pé no estribo da oposição é caridade, não coalizão.
O reflexo desse jogo atinge em cheio Pernambuco. A governadora Raquel Lyra, agora correligionária de Caiado e André de Paula, vive seu dilema: continuará flertando com a direita bolsonarista pernambucana ou terá a astúcia de se aproximar de Lula, que irriga o estado com recursos federais? Raquel tem sido a personificação da ingratidão política e pode terminar sem agradar ninguém.
Ao adiar sua escolha, ela arrisca o pescoço. Enquanto ela hesita, João Campos já tomou conta do sofá no Alvorada. Se a governadora não descer do muro, descobrirá que o coração de Lula, e o voto dos pernambucanos, já tem dono.