Em meio à crescente pressão política gerada pela operação irregular da Logo Caruaruense – empresa pertencente ao ex-governador João Lyra Neto, pai da governadora Raquel Lyra (PSD) –, o presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), Antônio Carlos Reinaux, foi exonerado “a pedido” nesta quarta-feira (21). No mesmo Diário Oficial, foi nomeado para o cargo Yuri Coriolano, até então secretário executivo da Casa Civil.
A mudança na cúpula do órgão responsável por fiscalizar o transporte intermunicipal ocorre poucos dias após a revelação de que a Logo Caruaruense circulou por pelo menos três anos sem passar por vistorias obrigatórias, utilizando ônibus com mais de 14 anos de fabricação e em condições precárias. A denúncia, que expôs uma aparente falha grave na fiscalização estadual, deu origem a um pedido de impeachment contra a governadora, protocolado pelo deputado Romero Albuquerque (UB).
O parlamentar sustenta que houve conflito de interesses e omissão deliberada do governo para beneficiar a empresa da família Lyra, que ainda recebia subsídios estatais. Na sexta-feira (17), em reação ao escândalo, a Logo Caruaruense anunciou o encerramento de suas atividades após seis décadas no mercado. A EPTI garantiu que as linhas serão redistribuídas para outras transportadoras.
A exoneração de Reinaux, que estava no cargo desde junho de 2023, é interpretada como uma tentativa de conter a crise e demonstrar ação diante das acusações. No entanto, a nomeação de um nome ligado à cúpula do governo, Coriolano era parte da estrutura da Casa Civil, sugere que a mudança busca manter o controle político sobre a autarquia. O pedido de impeachment agora aguarda análise do presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (PSDB), da oposição.
A queda do presidente da EPTI é, portanto, o primeiro movimento concreto em uma crise que coloca no centro do debate público a relação entre a governadora, sua família e a máquina do Estado que deveria regular seus negócios.