A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Anomalia, cumprindo um mandado de prisão contra Alessandro Pitombeira Carracena, ex-Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro. A ação investiga um esquema de venda de influência e negociação de vantagens indevidas para o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do estado.
Carracena, que já estava detido por outra acusação no mesmo caso, teria sido indicado ao governo estadual pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A defesa do ex-secretário, no entanto, aponta o secretário de Consumidor, Gutemberg Fonseca, também aliado de Bolsonaro, como o responsável pela indicação. O senador negou ter indicado Carracena.
Os desdobramentos da investigação, que conta com o apoio do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam a estruturação de uma associação criminosa voltada para crimes contra a administração pública e o tráfico de drogas. Conforme divulgado pela Polícia Federal.
Operação Anomalia e o Comando Vermelho
A Operação Anomalia é parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída para combater grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro e desarticular suas conexões com agentes públicos e políticos.
Além de Carracena, a operação cumpre outros mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além de medidas cautelares como o afastamento de funções públicas. Entre os presos está o delegado federal Fabrizio José Romano.
Mensagens Revelam Tentativas de Influência
Em novembro do ano passado, a Operação Zargun, outra frente da investigação, obteve diálogos que indicam a tentativa do Comando Vermelho de influenciar o policiamento no Rio por meio de contatos com Gutemberg Fonseca.
Em uma das mensagens, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão e apontado como membro do CV, relata a Carracena um encontro com Gutemberg Fonseca para apresentar demandas e buscar “cobertura política”.
Posições e Negativas
Em nota, Gutemberg Fonseca afirmou que a indicação de Carracena para a Secretaria de Defesa do Consumidor foi de caráter estritamente técnico e que Flávio Bolsonaro não participou do processo. Ele também declarou desconhecer o histórico de Gabriel Dias de Oliveira e que qualquer contato em eventos públicos teria sido circunstancial.
A assessoria do senador Flávio Bolsonaro negou a indicação de Carracena, classificando a informação como “mais uma mentira para tentar manchar sua reputação”, e reiterou a posição do senador contra o crime organizado.
Impacto e Cenário Futuro
A prisão de Alessandro Pitombeira Carracena e as investigações em curso expõem a complexidade da infiltração do crime organizado em estruturas públicas. A ação da Polícia Federal visa desmantelar essas conexões, com potencial impacto na segurança pública e na confiança nas instituições.
O caso reforça a importância do trabalho de inteligência e repressão contra facções, bem como a necessidade de transparência e rigor na nomeação de cargos públicos, especialmente em áreas sensíveis.