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Áudios: Investigados na Carbono Oculto dizem que Ciro Nogueira é ‘amigo’ de Beto Louco, ligado ao PCC
Foto: Beto Louco (E) e Ciro Nogueira (D). Reprodução Internet

Áudios: Investigados na Carbono Oculto dizem que Ciro Nogueira é ‘amigo’ de Beto Louco, ligado ao PCC

Investigações mostram que nome do senador, que foi ministro no Governo Bolsonaro, era usado em tratativas de esquema de lavagem de dinheiro.

Empresários investigados na Operação Carbono Oculto 86, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí, afirmaram em mensagens de áudio que Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, possui forte amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). As conversas, obtidas pelos repórteres Alice Maciel e Flávio VM Costa do ICL Notícias, sugerem que a proximidade seria utilizada para facilitar negócios envolvendo o grupo de Beto Louco e empresários acusados de lavagem de dinheiro.

Beto Louco e seu sócio, Mohamed Mourad, o Primo, são apontados como líderes de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa PCC, com atuação no setor de postos de combustíveis. Ambos estão foragidos desde agosto de 2023. A investigação também envolve a aeronave pilotada por Mauro Mattosinho, que relatou ter transportado uma sacola com aparente dinheiro vivo na mesma data em que Beto Louco teria um encontro com o senador Ciro Nogueira.

Embora Ciro Nogueira negue ter qualquer proximidade com Beto Louco, as mensagens extraídas de celulares de investigados, como Haran Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, indicam que o nome do senador, referido como “Sena”, era frequentemente mencionado nas tratativas. A Polícia Civil chegou a solicitar o envio do caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao foro privilegiado dos parlamentares mencionados. Conforme divulgado pelo ICL Notícias.

Relação de Beto Louco com Ciro Nogueira teria facilitado negócios

De acordo com os relatos, a aproximação entre os empresários Haran Sampaio e Danillo de Sousa, antigos donos da rede de postos HD, e o grupo de Beto Louco e Primo, donos da Copape e Aster, intensificou-se em outubro de 2023. Na época, a dupla de São Paulo já mantinha contato com o senador Ciro Nogueira e buscava fortalecer essa ligação.

O movimento ocorreu em meio a uma disputa no mercado de combustíveis com Ricardo Magro, dono da Refit, apontado como o maior sonegador do país e amigo de longa data de Ciro Nogueira. Mensagens indicam que o senador era visto como um facilitador para as negociações.

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À esquerda, Danilo Coelho de Souza. Á direita, Haran Santhiago Girão Sampaio. Ciro Nogueira ao centro

“Sena” como articulador nos negócios

Em áudios apreendidos, Danillo de Sousa sugere o uso da proximidade com Ciro Nogueira para viabilizar os negócios. Ele menciona que Beto Louco é “muito amigo do Ciro” e que uma ligação do senador poderia abrir portas.

Em outra mensagem, Haran Sampaio relata que Victor Linhares, a quem se refere como “Vitinho”, afirmou que “o Ciro já falou que vai ajudar a gente”. Haran chegou a incluir o senador em um grupo de WhatsApp chamado “Ciro Vitor Haran Danilo”.

Aval do senador e transações financeiras suspeitas

O senador Ciro Nogueira interagiu no grupo de WhatsApp e convidou os empresários para um encontro em sua casa em novembro de 2023. Posteriormente, em meio às negociações para a venda de parte da rede HD ao grupo de Beto Louco e Primo, mensagens indicam um aval de Ciro Nogueira, e o negócio foi fechado em dezembro do mesmo ano.

Em dezembro de 2023, Victor Linhares recebeu R$ 230 mil de Haran Sampaio, coincidindo com a venda dos postos HD para a Pima Energia Participações Ltda, empresa aberta por Beto Louco e Primo. A suspeita é que Linhares atuou como intermediário.

Investigações anteriores já haviam revelado que a empresa HD Petróleo Uruguai, de Haran e Danilo, dividiu endereço com uma firma do irmão de Ciro Nogueira e recebeu recursos da cota parlamentar do senador. Além disso, a empresa Ciro Nogueira Agropecuária Imóveis recebeu R$ 63,9 mil do Posto Pima Energia, conforme relatório do Coaf.

Investigação trancada, mas MP-PI recorre

A investigação foi trancada no dia 2 de abril por decisão do juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos do TJ-PI, sob alegação de irregularidades no compartilhamento de dados financeiros do Coaf. O Ministério Público do Piauí (MP-PI) recorreu da decisão.

O MP-PI contesta a competência do juiz para trancar a investigação e sustenta que a obtenção dos relatórios foi legal e complementar a indícios já existentes. A promotoria pede a reversão da decisão, com a expectativa de que o caso siga para o STF.

Paralelamente, mensagens nos celulares dos investigados sugerem tratativas com o deputado federal Júlio Arcoverde (PP-PI) sobre emendas parlamentares. Arcoverde negou desconhecer menções ao seu nome e afirmou não ser investigado.

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Redação JanelaPE

Email: portaljanelape@gmail.com

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