A arquitetura de Pernambuco alcançou um patamar de destaque internacional com o reconhecimento do projeto “Casa de Mainha”, do Estúdio Zé, no ArchDaily Building of the Year Awards 2026. A premiação, uma das mais prestigiadas no cenário da arquitetura contemporânea, selecionou a obra na categoria Houses, entre 15 projetos votados mundialmente pelo público.
Esta conquista não apenas celebra a excelência do arquiteto e urbanista Zé Vágner, mas também evidencia a força e a originalidade da produção arquitetônica realizada na cidade de Feira Nova, no Agreste do Estado, com cerca de 20 mil habitantes, que fica a 78 km do Recife. O projeto se destaca por sua abordagem que une inteligência material, clareza de intenção e compromisso social, alinhando-se às tendências contemporâneas apontadas pelo próprio ArchDaily.
O projeto “Casa de Mainha” foi selecionado entre mais de 120 mil votos de leitores de mais de 100 países, consolidando o ArchDaily Building of the Year Awards como a maior premiação de arquitetura decidida por votação pública. Os vencedores representam 14 países, demonstrando a diversidade cultural e construtiva global.
Sustentabilidade e identidade no Agreste
Localizada em Feira Nova, no Agreste pernambucano, a residência “Casa de Mainha” foi originalmente construída na década de 1980. O projeto de requalificação partiu do respeito à história da edificação e do território, utilizando mão de obra local.
A intervenção priorizou soluções de ventilação cruzada e iluminação natural, além do uso predominante de materiais locais.
O arquiteto Zé Vágner ressalta a importância de uma arquitetura acessível e funcional: “A casa de mainha nasce dessa lógica: foi feita com baixo custo, com uma equipe de apenas duas pessoas na obra e de forma muito enxuta. Ainda assim, alcançamos um resultado de qualidade. O projeto mostra que é possível fazer arquitetura com excelência mesmo com poucos recursos e que ela também pode ser acessível a quem tem pouco”, afirmou.
Valorização do saber popular
A proposta arquitetônica valoriza o saber popular e a participação ativa de trabalhadores da própria comunidade. Essa abordagem estabelece um diálogo frutífero entre a tradição construtiva e a contemporaneidade, respeitando as condições climáticas e culturais da região.
Ao priorizar soluções de baixo custo de construção e manutenção, o projeto “Casa de Mainha” reafirma o papel da arquitetura como um instrumento de permanência, identidade e cuidado, demonstrando que é possível aliar qualidade estética e funcionalidade a princípios de acessibilidade e sustentabilidade.
Este prêmio internacional projeta Pernambuco no mapa da arquitetura mundial e reforça a importância de soluções arquitetônicas que sejam contextualizadas, sustentáveis e socialmente comprometidas. A conquista serve de inspiração para profissionais e estudantes que buscam construir cidades mais justas e sensíveis à realidade local.