O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou formalmente a abertura de um processo para identificar autoridades federais que teriam participado de eventos privados realizados por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em Trancoso, na Bahia.
A representação, protocolada no dia 29 de janeiro de 2026, baseia-se em denúncias jornalísticas que apontam a presença de integrantes do primeiro escalão dos Três Poderes em celebrações em uma residência de veraneio.
As investigações foram motivadas por uma nota do jornalista Luís Costa Pinto, na coluna Reserva Exclusiva da Revista Liberta, e detalhadas posteriormente por veículos de circulação nacional. Segundo a publicação, existem registros em vídeo que documentam reuniões privadas ocorridas entre os anos de 2021 e 2022.
Membros do Governo Bolsonaro envolvidos
O relato afirma que, embora integrantes do atual governo federal não tenham sido identificados nas imagens, diversos membros do ministério da gestão de Jair Bolsonaro e figuras do Poder Judiciário estariam presentes. O documento enviado ao TCU enfatiza que esses eventos, denominados Cine Trancoso, contaram com a participação de políticos de alto nível, membros do mercado financeiro e do meio jurídico.
Relatos indicam que os convidados eram obrigados a entregar seus aparelhos celulares para equipes de segurança antes de ingressar nas festas, embora a residência supostamente possuísse um sistema interno de câmeras que registrou as ocorrências de forma velada.
A controvérsia envolve também uma disputa judicial sobre a aquisição do imóvel onde as festas eram realizadas. A casa pertencia à empresária Sandra Habib, esposa do presidente da JAC Motors Brasil, que alugou a propriedade para Vorcaro antes da concretização da venda em uma negociação conflituosa.
Em mensagens anexadas ao processo judicial, Habib relatou a presença de grande número de pessoas e som acima do permitido no local, o que gerou incômodos aos vizinhos e à antiga proprietária, que registrou formalmente sua contrariedade com o comportamento dos ocupantes.
O que diz a defesa de Vorcaro
Em resposta às alegações, a defesa de Daniel Vorcaro emitiu uma nota formal à imprensa. Os advogados afirmam que repudiam as informações apresentadas, classificando-as como sensacionalistas e baseadas em fontes não fidedignas.
O argumento da defesa é de que a divulgação desses conteúdos possui caráter difamatório e visa influenciar a percepção pública antes de qualquer conclusão oficial das apurações. A equipe jurídica ressaltou ainda que não teve acesso aos documentos da representação até o momento e que o empresário é alvo de uma narrativa distorcida.
O Tribunal de Contas da União deverá avaliar agora o mérito da representação para decidir se houve conflito de interesses, recebimento de vantagens indevidas ou violação da ética administrativa por parte dos agentes públicos envolvidos.
O caso ganha relevância no cenário político nacional devido ao potencial impacto das imagens mencionadas pelas reportagens, que podem expor a proximidade entre reguladores e entes regulados do mercado financeiro em ambientes informais.