Um marco para a pesquisa acadêmica sobre futebol no Brasil foi estabelecido com o lançamento da Rede de Mulheres Pesquisadoras de Futebol. A iniciativa visa conectar, mapear e dar visibilidade às profissionais que dedicam seus estudos ao esporte, um campo tradicionalmente dominado pela presença masculina, inclusive na produção científica.
Coordenada pela professora Soraya Barreto Januário, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a rede surge de uma demanda observada em eventos acadêmicos, como o 1º Seminário Internacional do Núcleo de Estudos Críticos de Feminismos, Gênero, Consumo e Capitalismo (FEGECCAP).
A proposta se fortalece com a colaboração de outras instituições e portais especializados, como o Ludopédio, e já conta com o apoio do CNPq para a divulgação científica. Conforme divulgado pela UFPE.
Objetivos e Estratégia de Mapeamento
O principal objetivo da rede é criar um panorama detalhado sobre quem são, onde estão e quais temas investigam as mulheres pesquisadoras de futebol no país. Essa ação é fundamental para combater a invisibilidade e fortalecer a presença feminina no ambiente acadêmico esportivo.
A construção desse mapeamento foi iniciada com a elaboração de um formulário, resultado de uma parceria entre a rede, o FEGECCAP e o Observatório de Mídia (OBMídia). A iniciativa ganhou amplitude com a colaboração do Ludopédio, portal de referência em pesquisa esportiva.
Impacto Social e Institucional
A criação da rede representa um avanço significativo para a equidade de gênero na ciência e para a diversificação do olhar sobre o futebol. Historicamente, o esporte e suas análises foram moldados por perspectivas majoritariamente masculinas.
Ao dar visibilidade a essas pesquisadoras, a rede contribui para uma compreensão mais rica e multifacetada do futebol, abordando temas como gênero, violência, identidade e cultura sob prismas diversos. O projeto também recebeu aprovação no Edital Universal do CNPq, na área de Divulgação Científica.
Articulação e Parcerias Fortes
A força da Rede de Mulheres Pesquisadoras de Futebol reside na sua articulação e nas parcerias estabelecidas. Além da coordenadora Soraya Barreto Januário (UFPE), integram o grupo pesquisadoras renomadas como Silvana Goellner (UFRGS), Mariane Pisani (UFPI), Caroline Almeida (PGEDF), Ana Carolina Vimieiro (UFMG) e Aira Bonfim (FGV).
Essa colaboração entre diferentes universidades e instituições reforça o compromisso com a produção e a circulação do conhecimento, buscando um impacto social e público relevante.
Próximos Passos e Encontro Nacional
Os primeiros resultados do mapeamento devem ser apresentados em 2027, durante o primeiro encontro da Rede, que está previsto para ocorrer no Campus Recife da UFPE. Este evento será um momento crucial para consolidar as conexões e planejar os próximos passos da iniciativa.
A rede também mantém presença ativa nas redes sociais, com o perfil @mulherespesquisadorasdefutebol no Instagram, onde divulga informações e interage com o público interessado.