A educação municipal do Recife amanhece em alerta. Em assembleia realizada na tarde desta quarta-feira (4/03) no Teatro Boa Vista, professoras e professores da Rede Municipal aprovaram estado de greve e anunciaram paralisação das atividades para esta quinta-feira (5). A decisão radicaliza o tom da campanha salarial de 2026 após a última rodada de negociação com a Prefeitura terminar sem avanços concretos.
Durante a mesa geral de negociação, a gestão municipal apresentou uma proposta de reajuste considerada insuficiente pela categoria: 3% a partir de junho e 2,4% em agosto, sem qualquer previsão de pagamento retroativo.
O Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (SIMPERE) reivindica a aplicação integral do Piso Salarial Nacional do Magistério, no percentual de 5,4%, para toda a carreira e com retroatividade a janeiro (mês da data-base da categoria).
Direito ou concessão?
A diretora do sindicato, Anna Davi, foi direta ao avaliar o impasse. “A data-base da categoria é janeiro. Quando o governo nega a retroatividade do piso, impõe uma perda salarial direta e desconsidera a necessidade de valorização da carreira docente”, afirmou.
Outro ponto que gerou insatisfação foi o silêncio da prefeitura em relação ao ticket alimentação. Para o sindicato, a ausência de qualquer índice de correção para o benefício escancara um quadro mais amplo de desvalorização dos profissionais da educação.
Mobilização em escala
A assembleia desta quarta-feira também aprovou a realização de um ato público nesta quinta (5/03), com concentração marcada às 9h, no Pátio da Prefeitura do Recife. A paralisação atinge toda a rede municipal e deve afetar o funcionamento de escolas em diversos bairros da capital.
A diretora Jaqueline Dornelas reforçou o tom da categoria. “Não estamos falando de concessão, mas do cumprimento de um direito das professoras e dos professores que sustentam a educação pública do Recife”, destacou.
O estado de greve é um instrumento previsto na organização sindical e representa o aumento do nível de mobilização diante da ausência de avanços. A categoria sinaliza que, sem uma proposta que atenda às reivindicações, a greve pode se tornar realidade nos próximos dias.
Enquanto isso, a gestão municipal ainda não se manifestou oficialmente sobre a paralisação ou sobre os próximos passos da negociação. O impasse segue e as salas de aula da rede municipal do Recife devem ficar vazias até que ele seja resolvido.