No tabuleiro político de Pernambuco, onde o peso do sobrenome muitas vezes asfixia a competência técnica, o lançamento do manifesto “Do Sertão ao Cais” trouxe um elemento de lucidez: a pré-candidatura de Paulo Rubem Santiago ao Senado. Em um cenário onde a primeira vaga parece cativa de Humberto Costa, a entrada de Rubem eleva o sarrafo ético e programático.
Ele é, sem dúvida, o nome mais preparado da disputa até aqui. Longe das heranças oligárquicas representadas por Marília Arraes ou pela insistência de Miguel Coelho, Paulo Rubem personifica a esquerda que domina o orçamento e as lutas sociais com a mesma maestria.
Sua trajetória é um escudo contra o pragmatismo vazio. Enquanto nomes tradicionais negociam espaços sob a lógica da conveniência, Rubem oferece a segurança de uma vida dedicada à fiscalização rigorosa e ao controle social.
Para o campo progressista, ele não é apenas uma opção; é a chance de ocupar a segunda cadeira no Senado com alguém que não vê o mandato como patrimônio familiar, mas como trincheira em defesa do povo.
Entretanto, a chapa apresenta flancos expostos que não podem ser ignorados por quem analisa os bastidores com realismo. Se Paulo Rubem é o lastro de solidez, a escolha do reitor Alfredo Gomes para o Governo parece empurrar o movimento para um isolamento perigoso.
Com uma gestão na UFPE alvo de questionamentos severos e sem a densidade política necessária para enfrentar o carisma de João Campos ou a máquina de Raquel Lyra, a figura de Alfredo termina por desidratar o fôlego da chapa majoritária.
Além disso, a movimentação liderada por Túlio Gadêlha ignora o incêndio interno na Federação PSOL/REDE. Ao lançar Alfredo, a Rede atropela a pré-candidatura já anunciada do jornalista Ivan Moraes pelo PSOL, criando um racha em um campo que já sofre para se consolidar. Pernambuco exala cansaço das dinastias, mas a alternativa não pode ser um projeto que nasce sob o signo do impasse interno e da fragilidade administrativa.
O progressismo pernambucano precisa da combatividade de Paulo Rubem, mas corre o risco de vê-la ofuscada por uma estratégia que prioriza o simbolismo acadêmico em detrimento da viabilidade eleitoral e da unidade real das esquerdas.
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Verdade!