Uma reportagem exclusiva do portal ICL Notícias, feita pelos repórteres Flávio VM Costa e Alice Maciel, trouxe mais um depoimento estarrecedor envolvendo o escândalo do Banco Master. Uma fonte do mercado financeiro, com acesso a documentos e processos judiciais e escutada em vídeo pela reportagem, revelou que o narcotraficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin foi um dos investidores por trás da operação de compra do Banco Master pelo empresário Daniel Vorcaro.
As informações, corroboradas por documentos de transações financeiras, processos judiciais e registros da CVM, indicam um esquema complexo que liga o criminoso condenado a figuras do mercado financeiro brasileiro. A atuação de Ortiz no Brasil, incluindo sua condenação por lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas, e sua futura expulsão do país, adicionam camadas de gravidade às revelações.
O elo entre o narcotraficante e o empresário
Segundo a fonte, o operador do mercado financeiro Benjamim Botelho de Almeida, apontado pela Polícia Federal como sócio oculto e operador financeiro de Vorcaro nos Estados Unidos, seria o elo entre o narcotraficante e o empresário mineiro.
Botelho mantém vínculos com a corretora Sefer Investimentos, antiga Foco DTVM, que já foi alvo da Operação Compliance Zero sob suspeita de integrar um esquema de repasse de recursos para negócios ligados à família de Vorcaro.
Uma offshore ligada à Sefer, sediada nas Bahamas, foi aberta poucos dias após o Banco Central liquidar o Banco Master.
Fundos e investimentos sob suspeita
A Sefer era administradora de fundos vinculados ao Grupo Aquilla, onde Botelho atuava como principal executivo e Oliver Ortiz como um dos investidores. Foi por meio de um fundo deste grupo que o narcotraficante teria investido na compra do Banco Máxima em 2017, que posteriormente se tornou o Banco Master.
Documentos obtidos pela reportagem confirmam que Ortiz era cotista desses fundos, com centenas de milhões de reais investidos, de acordo com a fonte.
A fonte detalha que os recursos utilizados na constituição dos fundos imobiliários e na aquisição do Banco Master são oriundos de lavagem de dinheiro do traficante.
Operação Compliance Zero e investigações anteriores
O esquema do Banco Master, investigado pela PF, envolve a aquisição de empresas de baixo valor para inflar artificialmente seus resultados, desviando recursos de fundos de investimento.
Benjamim Botelho é citado nos autos da Operação Compliance Zero como participante do esquema, com uso de interpostas pessoas e empresas.
Daniel Vorcaro e Benjamim Botelho já eram investigados antes do escândalo do Banco Master, inclusive na Operação Fundo Fake, que apurava fraudes semelhantes quando o banco ainda se chamava Máxima.
Ligação direta com o Banco Máxima e Master
Em 2016, o Banco Máxima, de Saul Sabbá, foi inabilitado pelo Banco Central por gestão fraudulenta. A intermediação da venda para Daniel Vorcaro teria sido feita por Benjamim Botelho.
Em 2017, Vorcaro adquiriu o Banco Máxima, que mudou de nome para Banco Master em 2021, mas seguiu um roteiro semelhante, sendo liquidado em novembro do ano passado.
Oliver Ortiz aparece em documentos como cotista de fundos administrados pela antiga Foco DTVM (atual Sefer Investimentos) em 2015, mesmo já tendo sido condenado por tráfico de drogas.
A relação de cotistas do Grupo Aquilla em 2015 mostra Ortiz como cotista do Aquilla Fundo de Investimento Imobiliário, que investiu em cotas do fundo São Domingos, utilizado na aquisição do Banco Máxima.
A operação revela uma triangulação onde o narcotraficante se apresentava como investidor do banco de Vorcaro.
Quem é Oliver Ortiz?
O espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin foi preso no Rio de Janeiro em 2013 e condenado a 16 anos de prisão por lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas.
As investigações indicaram que ele liderava uma estrutura de envio de cocaína para a Europa, utilizando rotas marítimas e seus conhecimentos como mergulhador.
Para lavar o dinheiro obtido com o tráfico, Ortiz adquiriu imóveis no Brasil declarados abaixo do valor real, usou empresas de fachada e registrou bens em nome de laranjas.
Em 2023, a Polícia Federal notificou Ortiz sobre sua expulsão do Brasil após o cumprimento da pena.