Os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, anunciaram uma articulação conjunta no Congresso Nacional para impedir a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala de trabalho 6×1.
A iniciativa, que busca garantir dois dias de descanso semanal para os trabalhadores, enfrenta forte resistência de setores empresariais e de lideranças partidárias da direita e extrema-direita alinhadas a esses interesses.
A estratégia anunciada pelos parlamentares é concentrar esforços para segurar a tramitação da proposta ainda na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, evitando que o texto chegue ao plenário para votação. As declarações foram feitas durante um jantar com empresários promovido pelo Grupo Esfera em São Paulo, conforme divulgado pela imprensa.
Resistência empresarial e articulação política
Valdemar Costa Neto afirmou que a intenção é trabalhar em conjunto com o presidente da Câmara, Arthur Lira, para reter a proposta na CCJ. “O que nós pretendemos fazer? Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ, é onde vai ser a guerra”, declarou.
Antônio Rueda, por sua vez, defendeu a necessidade de criar uma “blindagem” nas comissões. “Isso vai ser um desatino pra economia, é inflação na veia. Eu defendo uma posição junto com o Valdemar de que a gente possa construir uma blindagem dentro das comissões, principalmente na CCJ”, disse.
O que é a escala 6×1 e a proposta de mudança
A escala 6×1 é um regime de trabalho em que o funcionário labora seis dias consecutivos, tendo apenas um dia de descanso semanal. A proposta em discussão no Congresso Nacional visa estabelecer a obrigatoriedade de dois dias de folga por semana.
Essa mudança tem sido pauta de debate entre representantes de trabalhadores e empregadores, com argumentações sobre produtividade, bem-estar e custos para as empresas.
Posicionamento do Governo e próximos passos
O vice-presidente e ministro do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), mencionou uma “tendência mundial” de redução da jornada de trabalho, mas ponderou que o debate não deve ser apressado, devido às “situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo”.
O presidente da Câmara, Hugo Mota (Republicanos-PB), informou que o relator da proposta na CCJ será indicado nesta semana. A expectativa é que sejam reunidos os textos apresentados pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), ambos defensores da redução da jornada semanal.
Impacto social da decisão
O desfecho dessa articulação no Congresso terá impacto direto na vida de milhões de trabalhadores brasileiros que atuam sob a escala 6×1. A garantia de dois dias de descanso por semana pode representar um avanço significativo na qualidade de vida e na saúde mental desses profissionais.
Por outro lado, a resistência de setores empresariais, como historicamente acontece quando aparecem propóstas em benefício dos trabalhadores, levanta preocupações sobre possíveis aumentos de custos operacionais e, consequentemente, reflexos na economia e nos preços.